Rebeca Andrade, Tommie Smith e mais: 10 atletas negros que fizeram história nas Olimpíadas

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Rebeca encantou o Brasil na ginástica, mas o histórico de atletas negros que marcaram a história dos Jogos Olímpicos começou em 1908. Conheça alguns dos nomes que fizeram contribuições históricas para o debate racial Rebeca Andrade em Tóquio
Ashley Landis/AP
Da cerimônia de abertura à conquista de medalhas inéditas, os atletas dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 vêm protagonizando discussões sobre a representatividade racial e o combate ao racismo. O debate não é inédito: esportistas negros fazem contribuições históricas e reivindicam igualdade desde o início dos Jogos na era moderna. Conheça alguns dos principais nomes no Brasil e no mundo.
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John Baxter Taylor Jr. (EUA); Jogos Olímpicos de Londres (1908)
Taylor Jr. foi o primeiro campeão olímpico negro da história – e o primeiro a competir pelos EUA. O norte-americano teve papel pioneiro nos Jogos Olímpicos durante a prova de revezamento misto de 1.600 metros, alcançando a marca de 400m em 49s8. Taylor, no entanto, teve pouco tempo para dar continuidade ao seu legado no esporte. Menos de 5 meses depois, o atleta morreu de febre tifoide. Em seu obituário, o jovem de 26 anos foi lembrado pelo New York Times como “o maior corredor negro do mundo.”
Você sabia? A final de atletismo de 1908 também foi a mais controversa da história dos Jogos Olímpicos. Esse foi o ano da vitória do britânico Wyndham Halswelle, o único atleta a levar ouro por desistência dos adversários. Na prova individual, a equipe de John Taylor protestou contra a desclassificação do norte-americano John Carpenter, acusado de obstruir a corrida do medalhista britânico e a prova foi refeita só com o vencedor
Jesse Owens (EUA); Jogos Olímpicos de Berlim (1936)
Close-up of US champion “Jesse” (James Cleveland) Owens during Olympic Games in Berlin, August 1936, where he captured 4 gold medals, 100m, 200m, 4x100m and long jump. Grandson of a slave and legendary athlet, Jesse Owens established 6 world records in 1935. “Jesse” Owens retained his 100m world record for 20 years and his long jump world record for 25 years (until 1960).
AFP
A história de Jesse Owens nas Olimpíadas é conhecida por muitos: o corredor negro que, no auge da Alemanha nazista, garantiu 4 medalhas de ouro aos Estados Unidos e e constrangeu Adolf Hilter e sua propaganda de supremacia ariana. Um ano antes do episódio, Owens já havia batido um total de cinco recordes mundiais, os quais foram necessários 75 anos para que fossem quebrados um por um.
O norte-americano, no entanto, retornou a uma pátria segregada. Foi ovacionado Nova York, mas obrigado a usar o elevador de serviço do hotel Waldorf-Astoria. Mais tarde, declarou ter se ressentido do fato de não ter recebido sequer um telegrama do então presidente Franklin Delano Roosevelt. Sobre o líder nazista, Jesse Owens disse:
“Eu olhava a chegada e sabia que 10 segundos seriam o clímax de um trabalho. Por que, então, deveria me preocupar com Hitler?”
Aída dos Santos (Brasil); Jogos Olímpicos de Tóquio (1964)
Brasil, Rio de Janeiro, RJ. 12/12/2006. Cerimônia de entrega do “Prêmio Brasil Olímpico” no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A festa premia os melhores atletas de cada modalidade, além do destaque absoluto, masculino e feminino. Na foto, Aida dos Santos recebe o troféu Adhemar Ferreira da Silva.
Tasso Marcelo/Estadão Conteúdo/Arquivo
Quando se tornou a primeira mulher brasileira a disputar uma final olímpica, Aída dos Santos, hoje com 84 anos, não tinha técnico, roupa para a cerimônia de abertura ou material para competir nos Jogos. Ainda assim, levou o quarto lugar em uma final de salto com vara.
Durante 32 anos, Aída foi a brasileira com melhor desempenho na história dos Jogos Olímpicos. Seu legado é passado adiante pelo Instituto Aída dos Santos de inclusão social através do esporte; pela medalha Aída dos Santos e pela filha Valeskinha, ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.
Brasil, São Paulo, SP. Aida dos Santos é atleta e foi a única mulher a fazer parte da delegação brasileira nas Olimpíadas de 1964 no Japão.
Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo
Tommie Smith (EUA); Jogos Olímpicos da Cidade do México (1968)
Gestos de protesto durante o hino dos EUA não são limitados ao presente – os atletas Tommie Smith e John Carlos levantaram os punhos cerrados, usando uma luva preta, durante a cerimônia de entrega de medalha dos Jogos Olímpicos do México de 1968
AP Photo/File
Os punhos cerrado de Tommie Smith e do atleta John Carlos no topo do pódio olímpico de 1968, ainda repercutem no debate sobre protestos nas Olimpíadas. A saudação dos Panteras Negras foi feita pelo norte-americano depois de quebrar o recorde mundial dos 200 metros no atletismo. Mais de meio século depois, a atitude se perpetua por meio de atletas da geração Black Lives Matter – que se ajoelham antes dos jogos como símbolo de combate às mortes pelo racismo.
Servilio de Oliveira (Brasil); Jogos Olímpicos do México (1968)
Brasil, São Paulo, SP. 03/11/1971. O pugilista Servilio de Oliveira,o primeiro boxeador brasileiro a conquista uma medalha olímpica até 2012.
Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo
Foi o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha olímpica no boxe – e até 2012, o único. Servilio de Oliveira é considerado um dos melhores pugilistas brasileiros de todos os tempos. E mesmo muito tempo depois de abrir caminho para a modalidade do esporte no Brasil, o ex-atleta teve que batalhar por reconhecimento. Ainda neste ano, ganhou uma ação cível contra a Fundação Palmares, que havia retirado seu nome da lista de esportistas homenageados.
Serena Williams (EUA); Jogos Olímpicos de Sydney (2000), Pequim (2008) e Londres (2012)
Serena Williams perde na Olimpíada
Reuters
Medalha de ouro em Sydney, Pequim e Londres, Serena Williams carrega a responsabilidade de ser considerada uma das maiores atletas de todos os tempos. A norte-americana ocupa o posto de segunda maior campeã olímpica da história do tênis e a terceira a se manter por mais tempo como a número 1 do mundo. É diante desse peso histórico que a atleta se posiciona contra o machismo e o racismo. Nos Jogos deste ano, Serena anunciou que estaria fora da lista olímpica.
Rafaela Silva (Brasil); Jogos Olímpicos do Rio (2016)
Rafaela Silva, judoca, Rio 2016
Divulgação/Betto Gatti
Mulher, negra LGBQIA+ e periférica. Essa foi a cara do primeiro ouro do Brasil em casa nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. A judoca Rafaela Silva foi a primeira campeã olímpica e mundial do país, uma trajetória que não passou ilesa aos percalços do racismo: anos antes, sua primeira Olimpíada em 2012 ficou marcada por insultos racistas após ser desclassificada por um golpe ilegal na húngara Hedvig Karakas. Punida por um caso de doping em 2019, a medalhista olímpica acabou ficando de fora de Tóquio e abriu um curso online com dez aulas de judô por R$ 147,00.
Simone Biles (EUA); Jogos Olímpicos do Rio (2016) e Tóquio (2020)
USA’s Simone Biles competes in the artistic gymnastics balance beam event of the women’s qualification during the Tokyo 2020 Olympic Games at the Ariake Gymnastics Centre in Tokyo on July 25, 2021.
Foto: Martin Bureau/AFP
Aos 24 anos, a ginasta Simone Biles é a ginasta mais premiada da história dos Estados Unidos. A atleta contabiliza 31 medalhas de Olimpíadas e campeonatos mundiais. Foi a primeira a conseguir cinco títulos mundiais no individual geral e a única mulher a cravar um Yurchenko Double Pike, movimento nunca feito antes em uma competição oficial por uma ginasta. Nos Jogos deste ano, a campeã acabou fazendo história fora dos ginásios ao deixar etapas da competição para cuidar de sua saúde mental.
‘Não somos apenas atletas. Somos pessoas, afinal de contas, e às vezes é preciso dar um passo atrás’.
Rebeca Andrade (Brasil); Jogos Olímpicos de Tóquio (2020)
Rebeca Andrade, of Brazil, performs on the floor during the artistic gymnastics women’s all-around final at the 2020 Summer Olympics, Thursday, July 29, 2021, in Tokyo.
Natacha Pisarenko/AP
Rebeca Andrade emocionou e fez história ao conquistar a primeira medalha da ginástica artística brasileira em Olimpíadas. Medalhista de prata, a atleta da Vila Fátima, Guarulhos, levou “Baile de Favela” a Tóquio e, nas classificatórias para a final individual, só ficou atrás de Simone Biles, sua inspiração desde a infância. Mesmo fora da competição, a maior ginasta da história dos EUA vibrou pela vitória da brasileira.
VÍDEO: Veja apresentação que deu a prata para Rebeca Andrade nos jogos olímpicos
Naomi Osaka (Japão); Jogos Olímpicos de Tóquio (2020)
Naomi Osaka em ação nos Jogos Olímpicos de Tóquio
Foto: Tiziana Fabi/AFP
A primeira mulher negra a acender a pira olímpica em uma cerimônia de abertura das Olimpíadas também é filha de imigrantes e a primeira japonesa a conquistar um Grand Slam. Número dois do mundo, Naomi Osaka trilha os passos da contemporânea Williams ao denunciar casos de racismo nos Estados Unidos, onde vive desde os três anos de idade.
Assim como Simone Biles, Osaka também abordou o tema da saúde mental dos atletas após desistir de participar de dois torneios muito importantes para o tênis — Roland Garros e Wimbledon. Ela competiu em Tóquio, mas acabou eliminada antes da disputa por medalha.
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Fonte: G1 Mundo