Reino Unido alerta que oxímetros contra Covid-19 funcionam menos com pessoas negras

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Aparelhos funcionam por meio de luz através da pele que permite medir a quantidade de oxigênio no sangue. A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu, em atualização publicada nesta terça-feira (26), que pacientes com Covid-19 que estejam em casa monitorem seus níveis de oxigênio com um oxímetro.
G1
O serviço de saúde do Reino Unido (NHS) alertou, neste sábado (31), que os aparelhos usados em casa para medir os níveis de oxigênio no sangue de pacientes de Covid-19 podem favorecer diagnósticos “equivocados” em pacientes negros.
Em um comunicado, o NHS explicou que alterou suas diretrizes para o uso dos oxímetros de pulso, após um estudo publicado em abril pelo Observatório da Raça e da Saúde, o qual advertia que os oxímetros aumentavam “algumas vezes” os níveis de oxigênio no sangue “de pessoas com a cor da pele mais escura”.
Os oxímetros de pulso, muito usados pelos próprios pacientes para monitorar um possível agravamento do quadro de coronavírus, funcionam por meio de uma luz através da pele, que permite medir a quantidade de oxigênio no sangue, explicou o NHS. De acordo com o órgão, a pigmentação da pele pode afetar a forma como a luz é absorvida.
No entanto, o NHS continua recomendando o uso dos oxímetros, mas aconselha que, em vez de observar a quantidade total de oxigênio, o paciente priorize as alterações significativas, “o que permite ver se os níveis de oxigênio diminuem, embora o oxímetro não seja totalmente preciso”.
Em janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu que pacientes com Covid-19 que estivessem em casa monitorassem seus níveis de oxigênio com um oxímetro. O nível de oxigênio no sangue de pacientes com casos mais graves de Covid-19 costuma cair silenciosamente. Por isso, o aparelho é importante.
Alguns dados imprecisos podem atrasar a hospitalização de um paciente. Isto seria um problema sério considerando a alta porcentagem de pessoas negras e de outras minorias entre os infectados com Covid-19, devido ao maior impacto da pandemia nas classes sociais mais baixas.
Este excesso de mortalidade por coronavírus entre as minorias resulta “das injustiças, desigualdades e discriminações estruturais que assolam a nossa sociedade”, concluiu um relatório parlamentar no final de outubro.
“Devemos tentar saber os possíveis limites de alguns equipamentos médicos, especialmente nos setores da população que apresentam um maior risco para esta doença”, disse o médico Habib Naqvi, diretor do Observatório da Raça e da Saúde.
“Isso inclui diversas comunidades de negros e asiáticos que usam os oxímetros de pulso para controlar seus níveis de oxigênio em casa”, enfatizou.

Fonte: G1 Mundo