Tocantinense que começou estudos com livros achados no lixo conquista mestrado na França e fala cinco idiomas

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Tocantinense conquista mestrado na França
A vontade de aprender inglês que surgiu com livros achados na lixeira de uma rua em Araguaína, aos 10 anos, levou Wallisson Pereira de Sousa, atualmente com 29 anos, a conquistar o título de mestre em Engenharia Agronômica e Agroalimentar no Instituto Politécnico UniLaSalle na França. Ele estuda idiomas desde a adolescência e aprendeu a falar cinco línguas.
O araguainense formalizou o título em uma cerimônia realizada na cidade francesa de Rouen no final de abril. Em entrevista ao g1, ele conta que o mestrado foi ministrado em inglês e a tese de mestrado foi desenvolvida em francês.
“Eu chorei. Eu não conseguia me recompor. Quando desci do palco, a primeira coisa que fiz foi ligar pra minha mãe, que em lágrimas, disse que estava orgulhosa de mim. Ali foi o maior presente da minha vida. Ouvir isso dela que sempre foi tão carinhosa mas discreta”, diz.
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Ele conta que foi o primeiro da família a entrar em um avião, e que com o primeiro salário que fez na França, comprou uma passagem para a irmã, Emilly Pereira de Sousa, participar de sua formatura.
Wallisson Pereira no dia da colação com a irmã que mora em Araguaína.
Arquivo Pessoal
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Início dos estudos com livros achados no lixo
O tocantinense mora há quatro anos na Europa, mas antes disso, percorreu um longo caminho e aproveitou todas as oportunidades que foram surgindo desde criança. Filho de uma trabalhadora doméstica, Wallisson é natural de Araguaína, no norte do Tocantins.
Ele conta que começou a estudar inglês com livros encontrados em uma lixeira. “Quando encontrei os livros aos 10 anos, passei a estudar muitas horas por dia, parei de sair para jogar bola, o que minha mãe gostou muito. Quando vendedores ambulantes passaram em casa ainda em Araguaína, minha mãe comprou parcelado um DVD com 5 idiomas e eu disse que aprenderia todas elas”, diz Wallisson.
No ensino médio, ele deixou o Colégio Estadual Guilherme Dourado, em Araguaína, após ganhar uma bolsa e foi terminar o ensino médio no estado do Paraná. “Depois, fui pro Mato Grosso com 17 anos estudando educação física como bolsista de vôlei, mas mudei pro curso de agronomia com uma bolsa 100% Prouni.”
Em 2018, enquanto estava na graduação, ele soube que um grupo de franceses iria fazer intercâmbio na universidade Unilasalle Lucas do Rio Verde e decidiu aprender francês. “Soube que franceses viriam fazer um intercâmbio então comecei a assistir aulas no Youtube. Eles queriam praticar o português, mas não deixei eles em paz, eu queria muito aprender francês”, relata.
Voando para a França
A oportunidade para ir ao país francês surgiu após ele ser indicado pelos jovens do intercâmbio para participar do programa de mobilidade acadêmica, mas foi apenas depois da pandemia, em 2022, que ele embarcou para a França. “É um programa internacional, pois a universidade tem alunos do mundo todo. Eu fui o primeiro do Brasil nesse mestrado”, explica.
A princípio, o araguainense iria fazer cinco meses de estágio e outros cinco dedicados aos estudos e voltaria para o Tocantins. Ele contou que o prazo estava terminando, e decidiu pedir uma oportunidade para a diretora da universidade e a responsável pelos alunos internacionais para continuar em Rouen.
“Deu certo. Mas precisaria renovar meu visto. Não conseguia renovar estando na França, então recebi ajuda de custeio e retornei ao Brasil para renovar o visto de estudante e aproveitei para ir ao Tocantins ver minha família. Voltei em 2023 [para a França] como bolsista, mas tive que fazer um empréstimo estudantil para poder financiar minha vida”, diz.
Wallisson morou pelos dois anos seguintes em uma residência estudantil, em um quarto pequeno em que dividia a cozinha com mais de 40 pessoas de diferentes países.
“Foi bem difícil na verdade, não foi nada fácil. Mas eu estava avançando, estava estudando muito mesmo. Aqui você precisa fazer um estágio em cada ano, e no estágio final que são seis meses: eu fiz a minha tese de mestrado. Fiz todos os estágios na França, exceto no quarto ano, que fiz em Madagascar”, relembra.
Wallisson relata que dominou cinco línguas estudando com a ajuda de vídeos, livros e conversação com nativos de outros países. Hoje, declara ser fluente em inglês, francês, espanhol e italiano e intermediário em alemão.
Tocantinense no campus da universidade na França.
Arquivo Pessoal
A conquista do mestrado
Ele conta do momento feliz e de realização que viveu ao obter o título de mestre, e afirma que suas conquistas foram marcadas por amigos do mestrado, e profissionais da universidade que estenderam a mão e o ajudaram.
“Tive ajuda também da diretora da universidade, uma belga super gentil que fala português. Quando fui pedir uma bolsa para ela, pra continuar o mestrado, ela me olhou em lágrimas e disse: ‘eu vou te dar essa chance porque eu vejo no seu olhar que você só precisa de uma oportunidade’”, relembra.
Com o título de mestre em mãos, Wallisson se prepara para iniciar o doutorado em setembro na França. “Já fui pré-selecionado por algumas universidades daqui da França. Tenho algumas propostas muito boas pra analisar”, finaliza.
Jovem tocantinense conquistou o título de mestrado na França.
Arquivo Pessoal
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Fonte: G1 Tocantins