Trilhas das novelas de Benedito Ruy Barbosa incluem músicas marcantes que ainda ecoam na memória popular

0
6


Zé Ramalho teve a música ‘Admirável gado novo’ amplificada na trilha da novela ‘O rei do gado’ (1996) na gravação original de 1979
Leo Aversa / Divulgação
♫ MEMÓRIA
♬ É difícil dissociar as cenas do núcleo dos sem-terra da novela “O rei do gado” (1996) da música “Admirável gado novo”. A composição de Zé Ramalho sonorizava a trama desse núcleo na gravação original feita pelo artista paraibano em 1979, potencializando a emoção da novela de Benedito Ruy Barbosa (17 de abril de 1931 – 7 de julho de 2026), escritor paulista falecido hoje, aos 95 anos, na cidade de São Paulo (SP).
“Minha música viajou por vários países e ainda hoje é lembrada pelas emocionantes cenas com o núcleo dos sem-terra retratados na novela”, relata Zé Ramalho ao repercutir a morte do novelista em rede social.
De fato, as trilha sonoras das novelas de Benedito Ruy Barbosa – sobretudo as das sagas épicas como “O rei do gado”, exibida há 30 anos – ainda ecoam na memória popular por terem sido marcantes como as tramas do novelista.
Puxando pelo fio da memória, vem à mente a gravação de “Mágoas de caboclo” (J. Cascata e Leonel Azevedo, 1936) pelo cantor Nelson Gonçalves (1919 – 1998), amplificada na abertura da novela “Cabocla” (1979), sucesso da fase em que Benedito ainda escrevia, para a faixa das 18h da Globo, novelas adaptadas de romances brasileiros.
Lançada há 90 anos na voz de Orlando Silva (1915 – 1978), “Mágoas de caboclo” permanece mais associada ao vozeirão grave de Nelson Gonçalves do que a Orlando Silva por conta da novela de 1979. Ainda na trilha de “Cabocla”, a canção “Amora” (1979), ouvida na voz do autor Renato Teixeira, marcou o início da parceria do compositor paulista – fino estilista da canção folk brasileira – com as tramas em que Benedito Ruy Barbosa pôs o Brasil rural na tela da televisão.
Outra canção de Renato Teixeira, “Tocando em frente” tocou na voz de Maria Bethânia na versão original de “Pantanal” (1990), novela que ganhou antológica trilha sonora, com músicas de beleza inebriante como “Estrela natureza” (da dupla Sá & Guarabyra) e com canções igualmente belas criadas pelo compositor e violonista mineiro Marcus Viana.
Ambas da lavra de Viana, a canção “Amor selvagem” e o tema de abertura intitulado “Pantanal” – gravado pelo grupo Sagrado Coração da Terra – contribuíram para a magia da trama pantaneira de 1990, refeita em 2022 com o mesmo tema de abertura, só que então ouvido na voz recorrente de Maria Bethânia.
Aliás e a propósito, uma das gravações mais arrebatadoras da carreira de Bethânia, a de “Mortal loucura” (José Miguel Wisnik com versos do poeta Gregório de Matos, 2005), foi produzida há dez anos por Marcio Arantes para a trilha sonora de “Velho Chico” (2016), última novela inédita da obra imortal de Benedito Ruy Barbosa.
Já a trilha sonora de “Renascer” – tanto a da versão original de 1993, quanto a do remake de 2024 – foi iluminada pela música “Lua soberana”, composição de Ivan Lins, também autor do tema de abertura da versão original da novela, “Confins”.
No geral, as trilhas sonoras das novelas de Benedito Ruy Barbosa muita vezes traduziram a alma arrebatada do escritor, como exemplifica a seleção musical italiana de “Terra nostra” (1999). É por isso que muitas músicas dessas trilhas soam inesquecíveis e ainda reverberam como as novelas desse escritor que radiografou com paixão e precisão as entranhas profundas do Brasil rural.
Maria Bethânia gravou a música ‘Mortal loucura’ para a trilha sonora da novela ‘Velho Chico’ (2016)
Guilherme Nabhan / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento