Caso de Lito Sousa: é possível descobrir câncer de próstata mesmo fazendo exames regularmente?

0
6


Influencer Lito Sousa revela diagnóstico de câncer de próstata
O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, fazia exames de rotina regularmente quando descobriu um câncer de próstata. Alterações no PSA levaram a uma investigação mais detalhada, que confirmou um adenocarcinoma de agressividade intermediária. O tratamento escolhido foi a cirurgia, indicada porque a doença permanece restrita à próstata.
Ao compartilhar o diagnóstico nas redes sociais, Lito contou que sempre manteve acompanhamento médico, inclusive com o toque retal. Ainda assim, a confirmação do câncer só veio depois de exames complementares.
A sequência desperta uma dúvida comum: afinal, é possível descobrir um câncer de próstata mesmo fazendo acompanhamento regularmente?
A resposta é sim — e isso não significa, necessariamente, que os exames “falharam”.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o rastreamento do câncer de próstata funciona como uma investigação em etapas. O PSA pode levantar uma suspeita, o toque retal acrescenta informações importantes, a ressonância identifica áreas suspeitas e a confirmação só acontece com a biópsia.
“Nenhum exame, sozinho, fecha ou exclui o diagnóstico. Eles se complementam”, explica o urologista Rafael Ambar, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).
Influenciador Lito Sousa revela diagnóstico de câncer de prostata
Reprodução/Instagram
PSA é sinal de alerta, não diagnóstico
O exame mais conhecido para rastrear o câncer de próstata é o PSA (Antígeno Prostático Específico), uma proteína produzida pela glândula e medida por exame de sangue.
Quando seus níveis aumentam, o resultado merece investigação. Mas isso não significa, automaticamente, que exista um tumor.
Inflamações, aumento benigno da próstata e até algumas atividades recentes podem elevar o PSA. Da mesma forma, alguns tumores iniciais podem produzir alterações discretas.
Por isso, o resultado nunca é interpretado isoladamente.
“O PSA é uma ferramenta extremamente importante, mas ele faz parte de um conjunto de informações que inclui idade, histórico familiar, exame físico e, quando necessário, exames de imagem”, explica Ambar.
No caso de Lito, foi justamente uma alteração nesse marcador que levou os médicos a aprofundarem a investigação.
O toque continua fazendo diferença
Outro exame frequentemente cercado de tabus continua sendo uma das principais ferramentas do urologista.
O toque retal permite avaliar diretamente a próstata, identificando endurecimentos, nódulos ou alterações de consistência que podem não provocar mudanças importantes no PSA.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), abandonar um dos dois exames reduz a capacidade de identificar tumores em fases iniciais.
“O câncer de próstata é silencioso. Quando surgem sintomas, muitas vezes ele já está em estágio avançado”, afirma Luiz Otávio Torres, presidente da SBU.

AdobeStock
Quando entra a ressonância
Se o PSA, o toque retal ou o histórico do paciente levantam suspeitas, o passo seguinte costuma ser a ressonância magnética multiparamétrica.
O exame produz imagens detalhadas da próstata e ajuda o médico a localizar áreas com maior probabilidade de conter um tumor, orientando a realização da biópsia.
A confirmação definitiva, porém, depende da análise microscópica de pequenos fragmentos retirados da próstata.
Foi assim que os médicos identificaram em Lito um adenocarcinoma de agressividade intermediária, o tipo mais comum da doença.
Descobrir cedo muda o tratamento
A boa notícia é que o câncer de próstata costuma evoluir lentamente e responde muito bem ao tratamento quando permanece restrito à glândula.
Nesses casos, as chances de cura ultrapassam 90%.
As principais opções incluem vigilância ativa para tumores de baixo risco, cirurgia para retirada da próstata e radioterapia. Quando a doença já se espalhou para outros órgãos, podem ser indicadas hormonioterapia, quimioterapia, radiofármacos e medicamentos hormonais de nova geração.
“O que salva vidas é identificar o tumor antes que ele avance”, resume Maurício Cordeiro, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia.
Um problema frequente, e ainda silencioso
O câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens brasileiros, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 71,7 mil brasileiros recebem esse diagnóstico a cada ano.
Em 2024, a doença provocou 17.587 mortes, o equivalente a 48 óbitos por dia, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia.
Parte dessas mortes ocorre porque muitos tumores continuam sendo descobertos apenas quando começam a causar sintomas, como dificuldade para urinar, sangue na urina, dor óssea ou perda de peso.
Quando esses sinais aparecem, a doença frequentemente já ultrapassou os limites da próstata.
Quem deve conversar com o médico sobre rastreamento
Homens com casos de câncer de próstata, mama ou colorretal na família devem procurar um urologista por volta dos 40 anos para discutir quando iniciar o rastreamento.
Para quem não apresenta fatores de risco conhecidos, essa conversa costuma começar aos 45 anos.
A decisão sobre quais exames realizar e com que frequência deve ser individualizada, levando em conta idade, histórico familiar, expectativa de vida e condições de saúde.

Fonte: G1 Entretenimento