Maria Bethânia 80 anos – conheça 80 gravações que atestam a grande força da intérprete em seis décadas de disco

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Maria Bethânia completa 80 anos amanhã, quinta-feira, 18 de junho
Guilherme Nabhan / Divulgação
♫ MARIA BETHÂNIA 80 ANOS
♬ Ao longo de 61 anos de carreira fonográfica, Maria Bethânia manteve extraordinária fidelidade aos princípios que estabeleceu para si mesma ao seguir trajetória profissional pavimentada com extrema coesão e coerência.
Diferentemente da discografia de grandes cantoras da mesma geração da MPB, precisamente Elis Regina (1945 – 1982) e Gal Costa (1945 – 2022), a obra fonográfica de Maria Bethânia Vianna Telles Velloso jamais mudou de timbres e tons de acordo sob a direção de produtores musicais. Sob esse prisma, somente outra imensa cantora da geração, Nana Caymmi (1941 – 2025), manteve a mesma fidelidade aos cânones que estabeleceu para si.
A obra de Maria Bethânia transcende rótulos e movimentos. A alma teatral da intérprete e a voz grave de veia dramática têm sido as únicas guias da artista na construção de discografia iniciada em 1965 com a edição de single pela gravadora RCA com registros de “Carcará” (João do Vale e José Cândido) – música que projetou a artista baiana em escala nacional no palco inflamado do espetáculo “Opinião”, show teatralizado que passou a contar com Bethânia no elenco a partir de fevereiro de 1965 – e “De manhã”, música do então desconhecido Caetano Veloso, irmão da cantora.
A soberania de Maria Bethânia é o fio que liga esse single seminal de 1965 ao single editado em janeiro deste ano de 2026 com a gravação de estúdio de “Vera Cruz”, samba de Xande de Pilares e Paulo César Feital apresentado pela cantora no ano passado no show “60 anos de carreira” (2025).
Nascida em 18 de junho de 1946 na cidade interiorana de Santo Amaro da Purificação (BA), Maria Bethânia faz 80 anos amanhã, quinta-feira. Dando sequência à série de textos celebrativos da efeméride, o Blog do Mauro Ferreira elege 80 grandes gravações – dentre os 2.059 registros fonográficos feitos pela intérprete entre 1965 e 2026 – que atestam a força que nunca seca de um canto referencial na música brasileira.
♪ Eis, em ordem cronológica, as 80 gravações mais expressivas da discografia de Maria Bethânia com o ano em que foram lançadas pela cantora ↴
1. “Carcará” (1965) – O primeiro voo da indomada águia nordestina.
2. “De manhã” (1965) – A primeira música gravada do mano Caetano Veloso.
3. “Três apitos” (1966) – A dor de um samba-canção de Noel Rosa.
4. “Pra dizer adeus” (1967) – Sofrimento na canção de despedida entoada com Edu Lobo.
5. “Marginália II” (ao vivo, 1968) – A tropical melancolia de saber que aqui é o fim do mundo.
6. “O que tinha de ser” (ao vivo, 1968) – A intensidade do amor demais de Tom e Vinicius.
7. “Marinheiro só” (ao vivo, 1970) – Na roda do samba da Bahia.
8. “A tua presença morena” (1971) – A onipresença de Caetano na discografia de Bethânia.
9. “Movimento dos barcos” (ao vivo, 1971) – Bethânia no eterno movimento do show “Rosa dos ventos”.
10. “Esse cara” (1972) – Consumida pelo amor sensual na canção do mano Caetano.
11. “Estácio Holly, Estácio” (1972) – Lançando um samba de Luiz Melodia.
12. “Drama” (1972) – Ela mente, mas a voz não…
13. “Baioque” (1972) – Som e fúria roqueira na trilha do filme “Quando o Carnaval chegar”.
14. “Iansã” (ao vivo, 1973) – Saudação à dona dos ventos pela orixá da MPB com direito a um texto da própria Bethânia.
15. “Gás neon” (ao vivo, 1974) – Brilhando na longa avenida de Gonzaguinha em medley com “Luzes da ribalta”, de Chaplin.
16. “Sem açúcar” (ao vivo, 1975) – Drama da mulher submissa na canção de Chico.
17. “Gitã” (ao vivo, 1975) – Som e fúria no canto do sucesso de Raul Seixas.
18. “Sonho impossível” (ao vivo, 1975) – Uma flor brota do impossível chão.
19. “Coração ateu” (1975) – Canção de Sueli Costa bate forte na trilha da novela “Gabriela”
20. “Olhos nos olhos” (1976) – A canção-passaporte para a popularidade das rádios AMs.
21. “Um índio” (ao vivo, 1976) – Um índio desceu dos céus no show do grupo Doces Bárbaros
22. “Terezinha” (1977) – A primeira a chegar com a canção de Chico.
23. “Começaria tudo outra vez” (1977) – Um bolero feliz de Gonzaguinha.
24. “Ronda” (1978) – A mais completa tradução da música de Paulo Vanzolini.
25. “Sonho meu” (1978) – Samba sublime de Ivone Lara e Délcio Carvalho em dueto com Gal.
26. “Explode coração” (1978) – Não deu mais para segurar: Bethânia explode nas paradas.
27. “Negue” (1978) – Negue que você conheceu o samba-canção de 1960 na voz de Bethânia.
28. “Cálice” (1978) – Pai, afasta de mim a censura!
29. “Mel” (1979) – A carta de princípios da Abelha Rainha.
30. “Cheiro de amor” (1979) – O jingle de motel que virou hit radiofônico.
31. “Grito de alerta” (1979) – DR na canção de Gonzaguinha.
32. “O lado quente do ser” (1980) – O gosto de ser mulher e dar voz a uma canção de Marina Lima.
33. “Maravida” (1981) – Ode de Gonzaguinha à vida que é bonita, é bonita e é bonita.
34. “O que é o que é” (ao vivo, 1982) – Outra ode de Gonzaguinha à vida na cadência bonita do samba que se tornou o bis preferencial dos shows de Bethânia.
35. “Vida” (ao vivo, 1982) – A definitiva e antológica interpretação da canção que Chico lançara em 1980.
36. “Brincar de viver” (1983) – A canção do especial infantil que os adultos amam.
37. “Fogueira” (1983) – Acendendo mais uma vez o amor e a dor de Angela Ro Ro.
38. “Motriz” (1983) – Memórias da infância e da mãe, Dona Canô, o norte da vida.
39. “Na primeira manhã” (1984) – A solidão é fera que devora na gravação definitiva da canção de Alceu.
40. “Anos dourados” (1986) – Bolero de Tom e Chico para esquentar dezembros e outros meses.
41. “Gostoso demais” (1986) – A cantora nos braços da paz ao seguir a toada de Dominguinhos e Nando Cordel.
42. “Canções e momentos” (1986) – Uma grande canção e um grande momento de Bethânia.
43. “Onde andarás” (1988) – O melhor e mais cool registro de canção de 1967 feita por Caetano a partir de versos de Ferreira Gullar.
44. “O ciúme” (1988) – Caetano novamente, em mais um luminoso feat de Bethânia com Gal.
45. “Tá combinado” (1988) – Vamos combinar que essa é a melhor interpretação da canção dada por Caetano a Peninha dois anos antes.
46. “Reconvexo” (1989) – Quem é recôncavo entra na roda desse samba de Caetano.
47. “Tocando em frente” (1990) – Seguindo com calma a toada de Renato Teixeira e Almir Sater.
48. “Flor de ir embora” (1990) – A despedida na sensível canção de Fátima Guedes.
49. “Medalha de São Jorge” (1992) – Fé no santo guerreiro e na música de Moacyr Luz e Aldir Blanc.
50. “As canções que você fez pra mim” (1993) – E não é que pareceu que Roberto Carlos fez mesmo para ela a canção de 1966?
51. “Fera ferida” (1993) – Cordas e canto em pulsação envolvente da música de 1982.
52. “Você” (1993) – Uma balada de 1974 se agiganta em clima camerístico em gravação de voz e piano.
53. “Todo o sentimento” (ao vivo, 1994) – A canção de Cristovão Bastos e Chico Buarque em tempo de delicadeza em gravação que abre com trecho de “Genipapo absoluto”.
54. “Onde estará o meu amor” (1996) – Mais tempo de delicadeza na canção de Chico César.
55. “Âmbar” (1996) – Tudo aceso na estreia de Adriana Calcanhotto na discografia de Bethânia.
56. “Rosa dos ventos” (ao vivo, 1997) – A gravação mais forte da música de Chico Buarque que Bethânia tomou para si em 1971.
57. “Uma canção desnaturada” (ao vivo, 1997) – Desamor de mãe na canção de Chico.
58. “Mensagem” (ao vivo, 1997) – Todas as cartas e canções de amor são ridículas, menos quando lidas ou cantadas por Bethânia em faixas entremeadas por textos de Fernando Pessoa.
59. “A força que nunca seca” (1999) – Segue o seco no sopro vital da canção de Chico César e Vanessa da Mata.
60. “É o amor” (1999) – Um toque de classe ao hit sertanejo de 1991.
61. “Dona do dom” (2001) – Bethânia plena do dom que Deus lhe deu na grande canção de Chico César.
62. “Depois de ter você” (2001) – A bela cantada de Adriana Calcanhotto surtiu efeito.
63. “O quereres” (Ao vivo, 2002) – Onde queres uma coisa, Bethânia é outra.
64. “Yayá Massemba” (2003) – O canto da resiliência dos africanos escravizados no Brasil.
65. “Melodia sentimental” (2003) – O canto brasileirinho de Villa-Lobos em registro sublime.
66. “Oração ao tempo” (Ao vivo, 2005) – Tempo Tempo Tempo Tempo para celebrar os 40 anos de carreira.
67. “Beira-mar” (2006) – Dentro do mar tem rio e as águas do querer de Bethânia.
68. “Sábado em Copacabana” (2007) – Samba-canção de Caymmi à beira-mar para a abertura da novela.
69. “Estrela” (2009) – Congado de Vander Lee na festa da encanteria.
70. ”Saudade” (2009) – Canção sertaneja de Chico César e Moska em feat com Lenine.
71. ”Até o fim” (2009) – Mergulho na intensidade de Arnaldo Antunes.
72. “Balada da Gisberta” (ao vivo, 2010) – Réquiem para uma travesti morta pelo preconceito.
73. “Estado de poesia” (ao vivo, 2013) – Chico César em estado de graça.
74. ”Alguma voz” (2014) – Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro na voz.
75. “Non, je ne regrette rien” (ao vivo, 2026) – Piaf na interpretação de Bethânia.
76. ”Silêncio” (Ao vivo, 2016) – Um instante de serenidade e reflexão na festa dos 50 anos de carreira.
77. ”Mortal loucura” (2016) – Uma gravação que desenterra os mistérios da voz sagrada.
78. ”O sopro do fole” (2021) – O frescor da tia Bethânia gravando o sobrinho Zeca Veloso.
79. ”Fé” (ao vivo, 2025) – Abraçando e agradecendo com o mano Caetano no canto de hit de Iza.
80. ”Vera Cruz” (2026) – Um retrato da filha da Bahia.

Fonte: G1 Entretenimento