Pacientes em tratamento contra o câncer não conseguem prótese mamária por falta de material no SUS

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Moradoras de Araguaína que fizeram a cirurgia para a retirada das mamas aguardam pelo procedimento para colocar a prótese. Em Araguaína, pacientes reclamam da falta de material no HRA
No mês de prevenção ao câncer de mama, pacientes que fazem o tratamento contra a doença têm mais desafios para enfrentar. Algumas delas precisam de prótese mamária, mas o material está em falta no Hospital Regional de Araguaína e, por isso, não conseguem fazer o procedimento.
A professora Irani Borges Taveira é uma dessas mulheres. Ela descobriu o câncer e precisou passar por um procedimento cirúrgico para a retirada de uma das mamas. Hoje, ela usa um expansor provisório, mas sabe bem que precisa trocar por uma prótese.
“O meu caso, como o médico falou, é de urgência, corro risco de haver rompimento do tecido e esse expansor precisa ser substituído”.
Irani Borges Taveira ainda não conseguiu fazer a cirurgia para colocar a prótese mamária
Reprodução/TV Anhanguera
A Secretaria Estadual de Saúde informou que os atendimentos às pacientes com indicações de mastectomia seguem regulares em todo o estado, bem como o agendamento e a realização dos procedimentos.
O órgão disse ainda que dispõe de contratos de fornecimento de próteses para assegurar essa continuidade do acompanhamento das mulheres. Sobre o caso da dona Irani Borges, a secretaria informou que a cirurgia para colocar a prótese dela ocorrerá em um segundo tempo de tratamento obedecendo critérios de avaliação médica.
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Irani e outras mulheres em tratamento foram informadas recentemente sobre a falta de materiais para a realização da cirurgia. “Uma notícia como essa, a gente fica desanimada. O SUS está aí para fornecer todo esse suporte, mas na maioria das vezes é feito em partes. Então, ficam muitos problemas depois de um tratamento que é tão doloroso”, lamentou a professora.
A lei federal 9.797/1999 garante a todas as mulheres que passam pela cirurgia de mastectomia o direito à protese mamária. O procedimento é importante pois pode evitar que o câncer retorne. Além disso, a cirurgia ajuda no resgate da autoestima da mulher.
“A cirurgia do câncer de mama é a parte mais importante do tratamento, é o que vai trazer maior chance de cura. Os outros tratamentos são acessórios, coadjuvantes, eles ajudam na cura, mas o mais importante é a cirurgia. E a cirurgia, muitas vezes, pode retirar a mama. A mama tem uma importância muito grande para a mulher, é um símbolo de feminilidade, é importante na autoestima. Por isso, é tão importante a gente oferecer esse tipo de serviço para as mulheres”, explicou o médico mastologista, Régis Paulinelli.
Professora Ana Paula teme não conseguir cirurgia para colocar a prótese mamária em Araguaína
Reprodução/TV Anhanguera
A falta de prótese também preocupa a professora Ana Paula Souza de Oliveira, que tem previsão de passar pela cirurgia ainda neste mês. “Nem o expansor, nem a prótese, fui informada de que não tem no hospital. Eu fiquei muito apreensiva, tem relatos de colegas que foram e fizeram a cirurgia achando que sairiam da forma correta e quando terminou a cirurgia, elas viram que não tinha sido colocado”.
A dona de casa Marcileia Pereira de Sousa passou pela retirada total da mama. Ela pensou em desistir de fazer a cirurgia por não ter prótese disponível.
“Falaram em cima da hora, me prometeram que tinha, próximo ao dia da cirurgia já não tinha mais a prótese. Eu simplesmente saí de lá mutilada por falha do sistema. Nós temos o nosso direito, é desconfortável andar na rua só com um peito, tem que usar uma prótese de pano que machuca”.
Além do material, as pacientes cobram por mais informação e transparência, já que o hospital não emitiu qualquer comunicado oficial.
Marcileia Pereira de Sousa é uma das pacientes que fizeram mastectomia, mas ainda não colocaram a prótese
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins