Vozes de Mônica Salmaso, Roberta Sá e Paula Fernandes sobressaem no álbum nordestino de padre Fábio de Melo

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Roberta Sá brilha ao cantar ‘Estado de poesia’, música de Chico César, no álbum ‘O beijo que vós me nordestes’, de padre Fábio de Melo
Reprodução / Facebook padre Fábio de Melo
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: O beijo que vós me nordestes
Artista: Padre Fábio de Melo
Cotação: ★ ★ ★
♬ Uma das canções mais lindas da obra de Chico César, “Estado de poesia” (2015) ganha a voz límpida de Roberta Sá em gravação feita para o álbum lançado por padre Fábio de Melo na sexta-feira, 15 de maio, “O beijo que vós me nordestes”. A gravação dura seis minutos e, nos três primeiros, ouve-se somente a voz da cantora– um bálsamo para os admiradores de Roberta.
O mesmo acontece com Mônica Salmaso na gravação de “No dia que vim me embora” (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968) – ouve-se somente o canto lapidar de Salmaso nos primeiros dois dos cinco minutos do fonograma – e, um pouco menos, no registro de “Estória de cantador” (Djavan, 1978), dominado pela cantora no primeiro minuto e meio.
Gravado com produção musical de José Milton e arranjos do pianista Cristovão Bastos, integrante da banda arregimentada pelo produtor com virtuoses como o violonista João Lyra, o baixista Jorge Helder e o baterista Jurim Moreira, o álbum “O beijo que vós me nordestes” apresenta 15 músicas de compositores nordestinos em 14 faixas prontas desde 2022.
O titulo “O beijo que vós me nordestes” foi extraído de verso de “Beradêro” (1991), uma das pedras fundamentais da obra do paraibano Chico César, música alocada na abertura do disco.
O canto de Fábio de Melo é duro, sem emoção perceptível para o ouvinte, mas esse repertório toca a alma do religioso e faz sentido em um álbum nascido da luta de Fábio contra a depressão, o que reveste de significado a lembrança de uma canção como “Quem souber” (2018), joia da obra sensível de Flavia Wenceslau, cantora e compositora paraibana radicada na Bahia.
É com Paula Fernandes – cantora que já passou por estado depressivo – que Fábio divide o canto de versos motivacionais como “Persista na semente que ainda não floriu / Não deixe de amar só porque ninguém viu / Reverencie a tudo que te machucou / Verás que a luz do dia sempre te abraçou”. Sensível, o canto de Paula sobressai no álbum.
Canções como “Quem me levará sou eu” (Dominguinhos e Manduka, 1979) e “Motriz” (Caetano Veloso, 1983) adquirem sentido espiritual na voz do padre, infelizmente sem a luz dos intérpretes verdadeiramente vocacionados para o canto.
Nove anos após incursionar pelo universo da MPB no álbum “Clareou” (2017), padre Fábio de Melo se cerca de ícones da música brasileira neste disco de convidados estelares. Se a gravação de “Na volta que o mundo dá” (Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro, 1966) reúne Maria Rita com Fábio, em feat que valoriza essa boa surpresa do repertório, a lembrança de “Tenho sede” (Dominguinhos e Anastácia, 1975) traz o canto de ninguém menos que Milton Nascimento, atualmente já fora de cena por questões de saúde.
Gilberto Gil (com a voz frágil na gravação) e a Banda de Pau e Corda também se juntam ao padre na caminhada musical / espiritual encerrada com samba de Gil, “Andar com fé” (1982), última faixa de álbum engrandecido pelas presenças de estrelas como Elba Ramalho e Mariana Aydar, ambas ouvidas em músicas de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), pilar da nação musical nordestina, evocado no chapéu de vaqueiro exposto na capa do álbum.
Independentemente dos méritos de Fábio de Melo, padre querido no meio artístico e no universo católico, o álbum “O beijo que vós me nordestes” é indicado para quem tem fé no canto luminoso de Maria Rita, Mônica Salmaso, Roberta Sá e Cia.
Capa do álbum ‘O beijo que vós me nordestes’, de Fábio de Melo
Reprodução

Fonte: G1 Entretenimento